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Parque Tecnológico do Fundão, revisto, ampliado e disputado
22/11/2011
Dez novas empresas querem vagas no local, em investimento superior a R$ 200 milhões
Tecnologias inovadoras e mais infraestrutura prometem marcar uma nova fase no Parque Tecnológico do Fundão, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Com uma ampliação prevista para acontecer no início do próximo ano, dez empresas já estão na disputa para instalar no espaço da UFRJ novos laboratórios e centros de pesquisa, que irão gerar, no mínimo, R$ 200 milhões em investimentos. São companhias de setores como tecnologia, informática, química e cosméticos. Com isso, o Parque, que conta hoje com 15 empresas, totaliza um investimento de cerca de R$ 800 milhões. A maior parte será aplicada até 2014.
O Parque, que parece um canteiro de obras, com as multinacionais construindo seus centros de pesquisa, ganha força. Em dezembro, após dois meses de atraso, será inaugurada a ponte suspensa que ligará o Parque à Linha Vermelha. O empreendimento, de R$ 292 milhões, foi bancado pela Petrobras, após acordo feito com o governo do Estado do Rio para compensar o vazamento de óleo na Baía de Guanabara em 2000. Além disso, haverá uma estação da Transcarioca, sistema de transporte público de Bus Rapid Transit (BRT), que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
— Depois de 2011, que foi um marco para o Parque, esperamos uma nova fase para 2012. Queremos diversificar a atuação com empresas de setores variados, já que hoje o espaço é voltado para o setor do petróleo. A prefeitura e o governo do Estado do Rio estão negociando a compra de um terreno do Exército. Com isso, vamos ganhar mais 70 mil metros quadrados. Em 2003, quando surgiu o Parque, achávamos que toda a área só estaria ocupada em 2017 — diz Maurício Guedes, diretor do Parque da UFRJ.
E Guedes sabe da importância em infraestrutura. Hoje, a cobertura de telefonia móvel no local, por exemplo, é falha, com locais sem sinal:
— Com a nova ponte, será desatado um dos nós de transporte. A Prefeitura investe R$ 5 milhões em urbanização. Hoje, 800 pessoas trabalham no Parque. Em 2013, serão cinco mil.
Enquanto isso, as empresas correm com pesquisas. O Lab Oceano que, em uma piscina, simula as marés dos oceanos, irá também estudar as correntes marítimas. A FMC está desenvolvendo um equipamento, chamado árvore de Natal, que, no fundo do mar, irá separar água, óleo, gás e areia. A BG irá montar em 2013 um centro de gerenciamento de pesquisas:
— Se há, por exemplo, um desafio na Austrália, o cérebro será no Parque do Fundão — afirma Damian Popolo, Gerente de Tecnologia da BG Brasil.
Empresa de petróleo investe em energia renovável
A Siemens, que investe R$ 50 milhões, vai construir um centro de pesquisa para criar tecnologia em energias renováveis.
— Nossa proposta é ir além do pré-sal. Temos uma visão de longo prazo — diz Roberto Leite, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Chemtech, empresa comprada pela Siemens.
Entre as empresas menores, a inovação também acontece em ritmo acelerado. Um dos destaques é a Pam Membranas. Ronaldo Nobrega, fundador da empresa, cita a criação de um sistema de filtragem para cerveja, que irá reter mais microorganismos e, assim, aumentar o nível de pureza da bebida, prolongando a validade do líquido:
— Também estamos desenvolvendo cartuchos nacionais para quem faz hemodiálise. Hoje, esses itens são importados.
A Geovoxel, que criou um sistema que cruza informações geográficas em tempo real, desenvolve agora uma aplicação para evitar prejuízos com os desastres naturais. Paulo Garchet, diretor-executivo da empresa, explica como funciona a nova tecnologia, possível através de computação na nuvem:
— Nesse sistema é possível reunir o histórico de informações meteorológicas e características do solo, assim como seu uso. Com isso, conseguimos identificar as áreas que serão mais afetadas e atuar na prevenção. Estamos desenvolvendo algo semelhante para monitorar os dutos (de petróleo e gás) que atravessam diferentes estados, calculando riscos, como chuvas, que podem causar vazamentos.
Há também espaço para quem está começando. O Parque acaba de receber quatro pequenas companhias em sua Incubadora, chegando, assim, a 20 empresas. Lucimar Dantas, gerente de Operações do espaço, diz que o faturamento dessas firmas, que chegou a R$ 160 milhões em 2010, irá crescer em 2011:
— O Parque é um espaço de inovação, com empresas âncoras e pequenas companhias, que conseguem ser mais ágeis. Acabaram de chegar à Incubadora uma empresa de e-commerce, uma consultoria que analisa a dinâmica dos fluidos e outra que faz cotação de preços para impressão em terceira dimensão — adianta Lucimar.
Em 2012, será ainda finalizado o plano de negócios do Parque, que prevê a construção de um hotel e de uma torre para abrigar médias empresas.
O Globo – Economia, 19/11/11
Bruno Rosa
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