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Arvus testa interesse de investidores
19/09/2011Investida pelo Criatec em 2009, a Arvus Tecnologia aproveita a experiência com um fundo de investimento de capital semente para testar o lançamento de uma spin-off especializada em tecnologias de precisão e serviços florestais. A motivação é relatada pelo sócio-fundador Gustavo Raposo, que resolveu experimentar o interesse de potenciais investidores durante o Fórum Sul Brasileiro de Investimentos, realizado em julho, em Curitiba (PR). “Participamos do evento para mostrar ao mercado o modelo de uma das spin-offs que pretendemos fazer. Nossa intenção era entender se o mercado está disposto ou não a entrar no negócio. O resultado foi positivo, tivemos várias demandas”, comenta Raposo.
O empreendedor justifica o interesse pela independência do braço florestal da Arvus Tecnologia por tratar-se do segundo principal segmento de atuação da empresa, depois da área agrícola. A companhia iniciou suas atividades em 2004. Naquela época, Raposo desenvolveu um controlador de taxa variável, equipamento dotado de tecnologia GPS para reduzir o volume de insumos no trato cultural durante o plantio. “Meu sócio Bernardo de Castro e eu trabalhamos no desenvolvimento da tecnologia até 2006, quando abrimos uma rede de representantes e ampliamos o portfólio e a rede de distribuição”, recorda. Atualmente, a Arvus está sediada em Florianópolis (SC), porém parte da produção é terceirizada no próprio estado, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Com o aporte total de R$ 3,5 milhões do Criatec, feito em duas rodadas, o faturamento da Arvus, que já vinha duplicando ano a ano, saltou de R$ 650 mil em 2009 para R$ 2,5 milhões em 2010, devendo chegar a R$ 7 milhões no fim deste ano. Foi o novo fôlego financeiro que permitiu à empresa expandir sua divisão agrícola para sete equipamentos e cerca de 50 pontos de vendas, sendo a região Centro Oeste a mais representativa. Quanto à divisão florestal, a Arvus passou a atender oito das dez maiores empresas de celulose do País, com quatro tecnologias exclusivas e filiais no Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Maranhão. “Em 2007, a Votorantim Celulose e Papel, que hoje é a Fibria, a maior empresa de celulose do mundo, nos procurou para adaptar a tecnologia que até então era exclusivamente agrícola para a silvicultura. Hoje, temos contratos de longo prazo com as principais companhias”, comemora Raposo, que, por intermédio da Votorantim, também chegou a negociar com um fundo de investimento inglês.
Ainda capitalizada pelos recursos do Criatec, a Arvus Tecnologia poderá tornar-se a holding de uma série de divisões já planejadas por Raposo. O prazo, ele explica, está em processo de definição - o que, no entanto, não interfere nos planos de atingir o faturamento de R$ 14 milhões em 2013. “Estamos fazendo o inverso do que fizemos em 2008, quando queríamos crescer e precisávamos de dinheiro. Hoje, estamos crescendo e se tiver dinheiro, melhor, mas do contrário podemos manter a estratégia para os próximos dois anos”, informa o empreendedor, que analisa a criação de outras spin-offs em áreas como de cana-de-açúcar e monitoramento de máquinas pesadas para abertura de estradas. “Atualmente mantemos tudo sob o mesmo CNPJ, mas as atividades de serviços florestais, por exemplo, estão crescendo muito, o que pode nos levar a precisar de uma empresa só para prestar serviços para grandes grupos. Hoje não precisamos ir atrás de outros fundos de investimento, apesar de estarmos conversando com outros três fundos, pensando em acelerar os planos. Se as oportunidades forem boas, vamos acelerar”, avisa.
Opção
Embora tenha tido contato com uma série de fundos de investimento, o empreendedor Gustavo Raposo abre que acabou optando pelo Criatec por tratar-se de “um fundo coerente com o tamanho da Arvus”. Para ele, “os grandes fundos de risco geralmente não estão preparados para esse tamanho de empresa”. “Normalmente, eles investem em empresas maiores e, quando optam por menores, a pequena investida acaba sendo o resto da carteira deles. O processo de investimento envolve pessoas, portanto é preciso ter empatia com quem está lidando e isso temos com o Criatec. A segunda coisa é que o fundo tem o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] por trás e ter um parceiro destes abre muitas portas”, justifica. Raposo faz questão de ressaltar ainda outro ganho que a Arvus obteve com a parceria com o fundo de capital semente, o da gestão e maior transparência da empresa. “Com isso, acabamos atendendo melhor nossos clientes. A governança corporativa que vem com o fundo é um intangível muito valioso. A empresa era de três engenheiros, que conseqüentemente eram amigos, e tudo era muito informal. O fundo pede que a empresa formalize muitos pontos e quem ganha com isso é a empresa, que ganha agilidade, transparência e valor de mercado para o próximo round de investimento”, avalia Raposo.
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01/08/2011
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