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Mapear e Desenvolver
09/08/2011
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Mapear e desenvolver
Após lançamento de Censo, Abdi divulga projetos de incentivo à indústria de PE/VC
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi), com o apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgou em meados de junho o documento final do 2º Censo de Private Equity e Venture Capital. Disponível gratuitamente no site da entidade (www.abdi.com.br), o estudo reúne em quase 500 páginas toda a trajetória desta indústria, que cada vez mais se torna uma das opções mais rentáveis para o financiamento da expansão empresarial brasileira. “O Censo é o estudo mais completo que o Brasil já produziu em termos de radiografia da indústria brasileira de private equity e venture capital”, garante Cassio Marx Rabello da Costa, especialista em política industrial da Abdi, em entrevista exclusiva ao Caderno Participações. Paralelamente à divulgação do Censo, Costa fala das ações de continuidade e incentivo ao desenvolvimento da indústria de investimentos em participações que a associação está preparando. Entre elas, o especialista adianta a nova versão do curso de PE/VC para empreendedores e a realização de fóruns setoriais e regionais de
promoção do investimento em médias empresas. Na entrevista, Costa levanta ainda a questão do debate tributário a favor dos investidores pessoa física. “Deveríamos ter alguma política de desoneração do investidor do capital empreendedor”, opina. Veja, a seguir, os principais trechos da conversa.
Participações – Com a conclusão do 2º Censo de Private Equity e Venture Capital, quais são as próximas ações da Abdi para o setor?
Cassio Marx Rabello da Costa – Estamos divulgando o curso de private equity e venture capital para empreendedores, que já saiu na mídia impressa e em breve estará disponível na versão eletrônica. Esse curso é destinado a empresas ou instituições que poderão acessá-lo diretamente no site da Abdi. Também teremos o curso na versão auto-instrucional. Outro ponto que vale a pena mencionar é o trabalho que iniciamos numa parceria com a Abvcap [Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital] e a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], o projeto Venture Forum. Esse projeto visa promover a aproximação entre empresas inovadoras e os gestores de fundos de investimentos. Tradicionalmente, o processo do Venture Forum parte de uma abertura de inscrições para as empresas que estejam buscando expandir seu capital por meio da captação de recursos de fundos de investimentos em participações (FIPs), e faz essa aproximação entre as empresas e os gestores de fundos.
Part – Como serão as próximas etapas do Venture Forum?
CMRC – Nosso trabalho junto à Abvcap é para expandir o processo de Venture Forum, não só regionalmente no Brasil, mas também setorialmente. O que quer dizer isso? Em primeiro lugar, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) conclui, em julho, um processo de Venture Forum chamado Fórum Sul-Brasileiro de Investimentos, com a apresentação de planos de negócios de mais de 20 empresas selecionadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
É um evento coordenado pela Fiep nos mesmos moldes de preparação de empresas para o desenvolvimento de um plano de negócios e apresentação a investidores e potenciais parceiros. Esse é um processo conduzido tanto pela Abdi quanto pela Finep e pela Abvcap. No convênio que firmamos com a Abvcap, também estão contemplados os Venture Forum Setoriais. O primeiro foco que queremos dar a eles é na indústria de petróleo e gás, em toda a cadeia de suprimento. Por razões óbvias, é um setor que, com o advento do pré-sal, aponta para um desenvolvimento extraordinário. Então, estamos trabalhando na cadeia de fornecedores da indústria de petróleo e gás. Outro setor que vai merecer nossa atenção é o de tecnologia da informação, que como sempre, é um setor prioritário para a indústria de private equity e venture capital. Por fim, um segmento que está merecendo atenção crescente é o de tecnologias sustentáveis, tecnologias limpas. Esse foco ainda está em fase de maturação, mas nós precisamos fazer um Venture Forum específico para ele. Essa é uma das linhas de atuação da Abdi para o apoio a esta indústria de participações tanto pelo lado da empresa quanto pelo lado do investidor. E essas empresas estão em setores da economia que são apoiados pela política industrial brasileira, na qual a Abdi tem uma participação muito significativa.
Part – Qual será a agenda dos Ventures Foruns Setoriais?
CMRC – Para o segundo semestre está previsto o próximo Venture Forum para o setor de petróleo e gás. O de tecnologias limpas deve acontecer no primeiro semestre do ano que vem, porque necessita de uma preparação e um envolvimento com o setor muito forte. Para meados do segundo semestre deste ano também devemos fazer um Venture Forum focado na região Nordeste, até valendo-nos da experiência acumulada com o Fórum de Investimentos Sul-Brasileiro. Queremos disseminar o processo de encontro e aproximação entre empresas inovadoras e fundos de investimento. Esse é um papel fundamental que, aliado ao trabalho que acabamos de concluir com a FGV no curso de venture capital e private capital voltado para empreendedores e do Censo, queremos desempenhar no “chão de fábrica”, por meio da aproximação entre as empresas investidas ou potencialmente investidas e os gestores e investidores.
Part – Entidades desses setores específicos que serão abordados nos Ventures Forum também serão envolvidas nos eventos?
CMRC – No caso do petróleo e gás nós contamos com algumas vantagens, pois temos organizações e associações que atuam no setor. É um segmento que já está bem organizado. Posso citar como exemplo a Onip [Organização Nacional da Indústria do Petróleo], que é uma instituição que congrega toda a cadeia produtiva de petróleo e gás. Nós vamos fazer o evento em articulação com a Onip dentro do programa denominado Prominp [Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural], que é justamente o fortalecimento da competitividade na cadeia de fornecimento de petróleo e gás brasileira. A mesma coisa deverá se dar no Venture Forum da região Nordeste, em que nós, com toda a certeza, trabalharemos em articulação com entidades que já são parceiras da Abdi e que estão situadas na região Nordeste. No caso de energias renováveis, aí sim temos uma representação mais difusa, mesmo assim já há uma mobilização do setor. Vamos trabalhar com entidades que reúnem empresas voltadas à área de energia renováveis, companhias que atuam na reciclagem ou logística reversa e aquelas que trabalham com eficiência energética.
Part – Quais os estados que receberão esses eventos?
CMRC – No caso de petróleo e gás a atração natural é pela cidade do Rio de Janeiro, por uma questão do cluster de petróleo e gás, de proximidade com a cadeia produtiva e vocação. E a própria Abvcap está baseada no Rio de Janeiro atualmente, então essa é uma tendência. No caso do Nordeste ainda não temos uma definição, mas por uma questão de centralidade econômica, possivelmente cidades como Fortaleza (CE) ou Recife (PE) são as candidatas naturais a receber esse evento. Lógico que as empresas estarão nas regiões de atuação, mas para sediar o evento final, como foi o caso do último congresso da Abvcap, devemos promover o evento numa cidade de maior centralização econômica, como as que eu citei.
Part – Esse ambiente de empresas que têm a oportunidade de conhecer o mundo do private equity e venture capital está evoluindo?
CMRC – É preciso considerar que, em relação às potencialidades brasileiras, nós temos muito chão a percorrer. Isso é uma notícia boa, porque nós temos chance de fazer a diferença nesse mercado por meio dos eventos que estamos promovendo e apoiando mutuamente, tanto no ambiente de governo quanto no ambiente das entidades de representação setoriais. A minha leitura é de que essa forma de capitalização das empresas tem evoluído muito, tanto em termos de conhecimento por parte das companhias quanto – e especialmente – na capacitação do mercado financeiro. Do lado dos gestores, posso dizer que nós temos uma capacitação que nada deixa a desejar a países em que essa indústria é mais desenvolvida
Part – Os empresários brasileiros já estão preparados para investimentos de PE/VC?
CMRC – Ainda reside na cabeça do empresária idéia de que sua capitalização deveria vir de operações de crédito. Mas isso está mudando, e numa velocidade muito grande. Exemplos de outras empresas que tiveram sucesso ou que têm sucesso no mercado, especialmente na área de TI, estão fazendo com que as empresas abram os olhos para esse mercado. Hoje, como demonstrou o censo, nós temos, em termos de empresas investidas, algo como 500 no portfólio dos fundos de investimentos. Isso nos mais diversos setores. Se olharmos para trás, esses números eram infinitamente menores e concentrados em grandes empresas. Ao contrário do resto do mundo, o Brasil começou na indústria de private equity de uma forma mais determinada, por cima – ou seja, por operações de grande porte, especialmente no processo de privatização. Percebo que o mercado está descendo para empresas com tickets menores e diversificando, apoiado nas potencialidades da economia brasileira e nos bons resultados que temos colhido até aqui.
Part – Existe alguma demanda do setor do ponto de vista de desoneração fiscal?
CMRC – Percebo que há essa demanda entre as pessoas físicas. Deveríamos ter alguma política de desoneração do investimento em capital empreendedor. Temos conversado, no âmbito da Abvcap, com o comitê de empreendedorismo, que trata especificamente disso. Obviamente, o investimento de pessoa física em uma empresa inovadora e nascente por meio de um fundo de investimento é algo extremamente benéfico ao País. A tributação de pessoa física é algo a ser pensado e conversado com a área do governo que cuida disso para buscarmos mais esse incentivo. Outro fator importante é o ambiente econômico e monetário brasileiro. Como nós vivemos em um cenário histórico de altas taxas de juros, é natural que o mercado de capitais precise de alguns incentivos para que possa apresentar atrativos sob a ótica do investidor. Sempre há espaço para atrair o capital para o papel empreendedor, como é o caso da indústria brasileira de private equity e venture capital. Por outro lado, a Finep dá uma série de incentivos nos fundos que gere, como garantia do capital investido. Isso é, de certa forma, algo que se equipara a algum incentivo tributário, apesar de vir de outra forma. E ajuda a democratizar a indústria, a atrair investimentos e a diversificar as opções
de capitalização de empresas.
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Fonte: Revista Participações nº 26 – Edição 228 de 01/07/2011
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