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Criatec investe em empresa de equipamentos de precisão para UTIs

Há 4 anos no mercado, a Magnamed, empresa de equipamentos médicos e hospitalares, desenvolve módulos inteligentes para serem utilizados em ventiladores de terapia intensiva e aparelhos de anestesia. Atualmente, os fabricantes desses produtos ofertam apenas soluções completas, com todos os controles e módulos já incorporados. Dessa forma, para que sejam realizadas atualizações, o equipamento inteiro precisa ser substituído. Com a estratégia baseada na venda separada dos módulos, a Magnamed inova e começa a conquistar o mercado externo. A empresa já exporta para a Turquia e as negociações estão avançadas na Índia, México e Rússia.

Nascida em São Paulo, no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), a Magnamed recebeu, em dezembro do ano passado, um investimento do Criatec, fundo de capital semente apoiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O montante envolvido na operação, cujo valor não foi revelado, será destinado à obtenção de certificação da ANVISA e da marcação CE - norma que viabiliza a comercialização de equipamentos para a União Européia. Além disso, a empresa pretende utilizar os recursos recebidos para aumentar a linha de produtos, melhorar a estrutura e certificá-la de acordo com as Boas Práticas de Fabricação, também da ANVISA. "O objetivo é viabilizar sempre produtos de alta tecnologia para o mercado de equipamentos médico-hospitalares", afirma Wataru Ueda, diretor da Magnamed.

A Magnamed recebeu o contato do BNDES uma semana após o cadastro do projeto no programa, quando ainda estavam no CIETEC. "Logo após o contato, já recebemos uma visita de Francisco Jardim, gestor responsável pelo Fundo em São Paulo", conta Ueda. As negociações duraram cerca de 60 dias. A previsão, após as certificações junto à ANVISA e às outras normas de certificação, é começar o desenvolvimento das áreas de marketing e comercialização dos equipamentos.
"É importante ressaltar o fato de que estamos investindo em equipamentos de precisão fabricados no Brasil e que concorrem com importados dos grandes centros de tecnologia mundiais", revela Robert Binder, gestor nacional do Criatec.

Ventiladores Pulmonares

Muitos pacientes internados, principalmente em Unidades de Tratamento Intensivo – UTIs, não dispõem de suas funções cardiorrespiratórias em pleno funcionamento. Por isso, foram desenvolvidos aparelhos que artificialmente regulam ou realizam as funções de oxigenação sanguínea. Um dos objetivos dos aparelhos de ventilação pulmonar artificial é manter o ritmo respiratório: a inspiração e expiração do ar. Muitas vezes isso deve ser realizado de forma completamente artificial, a partir de compressão e descompressão do ar nos respiradores, que fazem o papel do diafragma humano. O segundo ponto é a manutenção da taxa de oxigenação do sangue. A partir de análise da concentração de gases, como oxigênio e dióxido de carbono, o aparelho regula a concentração de oxigênio que será recebida pelo paciente na inspiração seguinte.

"Não conhecemos, no mundo, outra empresa que esteja trabalhando o conceito de venda separada dos módulos. E fizemos uma diligencia rigorosa", revela Francisco Jardim. Com a tecnologia da Magnamed, os custos de atualização e manutenção são reduzidos, pois não é mais necessário que todo o equipamento seja trocado. Além disso, os aparelhos nacionais e a maioria dos importados atualmente disponíveis no mercado são "stand-alone"; ou seja, sem interatividade com os demais sinais vitais do paciente. Com isso, a respiração é tratada como entidade particular, sem a interação necessária com, por exemplo, ritmo de batimentos cardíacos e oxigenação cerebral. Os produtos da Magnamed fazem essa interação, o que facilita o trabalho dos médicos e garante um tratamento mais eficiente para os pacientes.

Entre os produtos de destaque da empresa estão os sensores de fluxo para pacientes neonatais e adultos, que pode ser facilmente acoplados aos sistemas de monitoramento respiratório dos pacientes; o VentMeter, máquina de teste de segurança e eficácia dos ventiladores pulmonares; o Módulo Ventilador para Anestesia, equipamento de anestesia que pode ser destinado aos mais diversos tipos de pacientes; e a válvula expiratória eletrônica, dispositivo de controle de pressão preciso e confiável para circuitos respiratórios. Além do desenvolvimento e venda dos aparelhos, a empresa também oferece a manutenção e consultoria na área.

Criatec

Em quatro anos, o Criatec vai aplicar um total de R$100 milhões em cerca de 50 empreendimentos promissores. Os recursos vão beneficiar empresas nascentes que faturem de zero a R$ 6 milhões ao ano e desenvolvam produtos ou processos inovadores. O aporte inicial máximo é de R$ 1,5 milhão por empresa. As propostas devem ser enviadas para o site www.fundocriatec.com.br, no link "envio de oportunidades". O BNDES é o investidor majoritário do Fundo, com R$ 80 milhões aplicados. "Nosso objetivo é ajudar cientistas e empresários a transformar boas idéias em grandes negócios", explica Eduardo Sá, gerente de fundos de investimentos do BNDES. O capital semente beneficia empreendimentos em fase inicial de estruturação, muitas vezes ainda dentro de laboratórios e incubadoras.

Além do Criatec, a Magnamed também foi beneficiada por órgãos tradicionais de fomento às empresas inovadoras do país como FINEP pelo projeto de Subvenção, Programa PIPE da FAPESP e adquiriu bolsas do CNPq para seus pesquisadores.

fonte: Capital Semente Online


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