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Empresa gaúcha de biotecnologia prepara abertura de capital no Canadá

Por Carla Falcão

O desafio a padrões estabelecidos, que faz parte do DNA das empresas inovadoras, também pode ser observado na forma como os empreendedores buscam recursos para sustentar e impulsionar seus projetos. A percepção de que apenas empresas de grande porte, com muitos anos de existência, são capazes de acessar o mercado de capitais, não limitou, por exemplo, os planos de expansão da FK Biotec. Com pouco mais de 10 anos de existência, a empresa gaúcha de pesquisa na área de saúde humana planeja abrir seu capital na Bolsa de Valores de Toronto, Canadá, no segundo semestre deste ano.

Como alternativa ao IPO (abertura de capital, na sigla em inglês), a empresa pode realizar ainda, no próprio mercado canadense, uma rodada de apresentação a fundos de private equity (investimento em empresas privadas), em que estima captar US$ 50 milhões. Já no lançamento de suas ações, a expectativa da FK Biotec é de uma transação envolvendo cifras da ordem de US$ 250 milhões.

Fundador e presidente da companhia, o médico Fernando Kreutz explica que a escolha da Bolsa de Valores de Toronto está relacionada às dificuldades encontradas para se fazer um IPO no Brasil. “Além de não estar preparada para empresas que trabalham com ativos intangíveis como os nossos, a Bovespa também exige volumes maiores para a abertura de capital de uma empresa”, diz Kreutz.

Já o mercado financeiro canadense, explica o médico, está habituado a IPOs de empresas do porte e do segmento da FK Biotec, com a vantagem adicional de que os custos para a abertura de capital são menores que os praticados na Nasdaq, por exemplo. “Como os investidores americanos têm pleno acesso à Bolsa de Toronto, é uma boa opção para a empresa”, afirma Kreutz.

Se para muitos empreendedores, a conquista de investidores privados parece uma conquista distante e pouco tangível, a trajetória da FK Biotec soa quase como uma subversão à ordem “tradicional” de captação de recursos. Em geral, os empreendimentos recém-criados recebem, inicialmente, recursos públicos provenientes de programas de incentivo à inovação e ao empreendedorismo. Somente após algum tempo de estrada é que a grande maioria das empresas consegue conquistar o interesse de investidores privados, sejam eles angels ou fundos de private equity.

Na contramão desse processo, a companhia gaúcha recebeu, no início de suas operações, o apoio de um angel que investiu US$ 30 mil no novo negócio. “Nessa época, a empresa era uma sala, uma mesa e um computador”, lembra Kreutz. Logo após o aporte do angel, a FK Biotec tornou-se uma das primeiras empresas brasileiras de biotecnologia a contar com investimento de capital de risco, tendo recebido US$ 600 mil do fundo RSTec.

Expectativa de crescimento do faturamento atrai investidores

O fundador da companhia reconhece que o faturamento da FK Biotec era “zero”, quando recebeu o aporte do fundo de capital de risco. E, segundo ele, o que convenceu os investidores foi a perspectiva de crescimento exponencial do faturamento.

“Somente nosso projeto de desenvolvimento da vacina contra o câncer de próstata, que vem apresentando excelentes resultados, tem potencial de mercado de US$ 950 milhões ao ano. É essa possibilidade de ganhos exponenciais sobre o investimento inicial que tem atraído os investidores desde o início da empresa”, afirma.

Para os empreendedores que desejam seguir o caminho já traçado por sua empresa, Kreutz recomenda uma análise rigorosa das necessidades do mercado. De acordo com ele, é comum que o pesquisador desenvolva todo o projeto para, no final tentar convencer o mercado de que aquele produto ou serviço é útil.

“Aconselho que o pesquisador observe o mercado antes de colocar em prática sua capacidade de pesquisa. Com isso, ele não precisará persuadir ninguém a comprar seu produto ou pagar pelo novo serviço. O próprio mercado reconhecerá a importância da solução desenvolvida”, diz.

fonte: Último Segundo


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