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Game nordestino vira sucesso no IPhone



A D’Accord Music Software tem nome de empresa americana, faz jogos em inglês para o IPhone e o iPodTouch, e teve um de seus jogos, o Drums Challenge, na lista dos cinco mais baixados na AppStore dos Estados Unidos. Mas a D’Accord tem mesmo é sotaque nordestino. Trata-se de uma microempresa pernambucana especializada em programas musicais que vende seus produtos pela internet para 85 países, entre Reino Unido, Austrália, Portugal e Argentina.

O Drums Challenge oferece 25 batalhas musicais em gêneros tão variados como jazz, funk e punk rock. Foi inspirado no filme “Encruzilhada”, em que um jovem guitarrista entra em um duelo com o diabo. Na sequencia, precisa reproduzir as notas propostas pelo oponente, numa sequência sonora cada vez mais complicada. No jogo, ocorre o mesmo. É preciso repetir as notas propostas por um baterista virtual. A cada acerto, o jogador pode criar uma nota nova, que por sua vez será reproduzida. O jogo é uma mistura de Guitar Hero portátil (o videogame com instrumentos musicais que simula shows de bandas) com o Genius, o primeiro jogo eletrônico lançado no Brasil na década de 80 e que também se baseava na repetição de sons.

Mais interessante do que o jogo em si é a história de seus criadores. A D’Accord faz parte de uma nova geração de empresas brasileiras que mal nasceram e já trazem boas lições de empreendedorismo. Não tem nem 10 anos de vida e sua equipe conta com apenas 23 funcionários. A média de idade da equipe é 25 anos. Mas apesar da pouca experiência e do tamanho, ganha clientes e consumidores no exterior porque aposta em um segmento hoje em franca expansão: a economia criativa, baseada na prestação de serviços por meio de novas idéias. Suas armas nessa disputa, além de baquetas e bateras virtuais, são a inovação e a busca de mercados ainda em formação, abertos a novas experiências, como o de música pela internet.

A trajetória da D’Accord também mostra que mesmo na falta de fundos de investimentos – os grandes incentivadores de novas tecnologias em países desenvolvidos – o Brasil tem condições de incentivar o surgimento de negócios criativos e rentáveis se souber oferecer condições adequadas para quem tem uma boa idéia na cabeça.

A empresa nasceu em 2000, na incubadora RecifeBEAT, da Universidade Federal de Pernambuco. Era então uma extensão do projeto de Giordano Cabral, um aluno de mestrado. Cabral havia criado um professor virtual de violão e acreditava que podia transformar sistemas como aquele em negócios lucrativos. O primeiro produto comercial da empresa, lançado em 2002, foi um dicionário de acordes para violão. Na sequência vieram vários produtos educacionais inspirados na área musical, que fizeram a empresa crescer em média 20% ao ano até 2007.

Foi naquele ano que a D’Accord passou a contar com uma divisão especializada em jogos, a MusiGames Studio, de onde saiu o sucesso Drums Challenge. No ano passado, o negócio recebeu uma injeção de capital que foi fundamental para a expansão criativa que se vê hoje: R$ 1,7 milhão via Programa de Subvenção Econômica da Finep, a Financiadora de Estudos e Projetos, uma empresa de fomento ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Com o dinheiro foi possível contratatar mais 10 funcionários e investir em novos games. A D’Accord já é rentável. Em 2008 faturou R$ 250 mil. Em 2009, a expectativa é que o resultado chegue a R$ 600 mil.

fonte: Época Negócios


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