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Os desafios do início da cadeia

06/06/2011
 Especialistas debatem dificuldades e perspectivas para o segmento de capital semente.
 
  "Existe vida inteligente no mundo de seed capital." A afirmação foi dita por José Arnaldo Deutscher, sócio diretor da Antera Gestão de Recursos, durante o painel "Seed Capital e Venture Capital - Quais os caminhos para obter retornos sustentáveis?", realizado no Congresso Abbvcap 2011.
 
  O debate em torno desse elo da cadeia de desenvolvimento das empresas teve como participantes representantes da Finep - Financiadora de Estudos e Projetos, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Confrapar, da Performa Investimentos e da Trigger Participações, além de Robert Binder, também sócio na Antera e coordenador do comitê de empreendedorismo, inovação e capital semente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap).
 
  André Calazans, chefe do departamento de capital semente da Finep, comentou que, com o aumento no volume de investimentos, os gestores têm migrado para etapas mais adiante na cadeia, como o venture capital e o private equity. Ele afirmou que, muitas vezes, as empresas investidas por seed são excelentes, no entanto, não é simples encontrar rapidamente um comprador para elas quando é chegada a hora do desinvesstimento. "A liquidez ainda está começando a acontecer. Acredito que a atração de investidores estrangeiros poderá tornar o segmento mais líquido", defendeu. Além disso, de acordo com o representante da Finep, esse também é um nicho em que há possibilidades de saídas diversas, entre as quais se destacaria, por exemplo, as fusões e aquisições. "Há várias empresas atuando de forma semelhante ou sinérgica. Aquelas mais agressivas podem atuar como consolidadoras", sugeriu Calazans.
 
  Por outro lado, como recordado por Marcio Spata, gerente do departamento de fundos de investimentos do BNDES, no Brasil o segmento de seed ainda é muito dependente de ações do Estado. "Existem empresas nascentes que podem devolver seis, sete vezes o capital investido, e não são poucas. Mas nós precisamos de mais gestores focados em seed", declarou. Ele contou que a falta de agentes nessa área provocou até uma mudança na formatação original do Fundo Criatec, um dos principais fundos nacionais de investimentos em seed capital e early stage. Segundo o gerente, a idéia inicial do veículo de investimentos em empresas nascentes era investir algo como R$ 1,5 milhão em 50 empresas com faturamento anual de até R$ 6 milhões. No entanto, decidiu-se por modificar essa estratégia e aplicar R$ 1,5 milhão em 36 empresas emergentes e inovadoras; dessas, são selecionadas oito ou dez de melhor desempenho e com maior potencial de retorno, que são alvo de nova injeção de capital do próprio fundo.

 

"Essa é uma forma de darmos andamento a bons projetos, porque não está disponível no mercado essa segunda fase de investimento. Mas acredito que será possível conseguir mais capital privado para essa etapa quando houver mais casos de sucesso em fundos de seed", estimou Spata.
 
Especialização

 

  Humberto Matsuda, vice presidente da Performa Investimentos, gestora voltada para seed e venture capital, apontou que as recentes entradas de fundos estrangeiros em empresas brasileiras sinaliza que haverá um movimento de ingresso de novas gestoras internacionais no mercado local, novos fundos brasileiros atuando no mercado e mais parcerias entre companhias de investimento nacionais e estrangeiras. "Nesse contexto, leva vantagem quem tiver algum tipo de especialização", indicou.
 
Matsuda lembrou que, em seed capital e early stage, a maioria dos projetos era da área de Tecnologia da Informação (TI). "O interesse por TI ainda vai permanecer, mas recentemente ela já tem uma configuração um pouco diferente. O tipo de investimento em TI está ficando mais parecido com o que é feito lá fora", disse ele, citando como exemplos os aportes nos ramos de internet, smartphones e tablets. Para os próximos anos, Matsuda vê boas perspectivas para segmentos como tecnologia limpa - em áreas como tratamento de água e maior eficiência de painéis solares -, saúde - como telemedicina e diagnósticos - agronegócio e biotecnologia, nestes casos para trazer uma maior eficiência na produção de alimentos e commodities. "Mais no longo prazo, acredito que a área de saúde também se dedicará ao desenvolvimento de fármacos. Ainda precisamos passar, em biotecnologia, pela parte de manipulação de DNA e proteínas, por exemplo. Acredito que, no médio prazo, aumentará o contato entre as áreas de biotecnologia, saúde, agronegócio e TI", apontou.
 
 
  O segmento de saúde também é promissor para o venture capital, na opinião de Carlos Eduardo Guillaume, diretor executivo da Confrapar Participações, gestora dos fundos de investimentos em empresas inovadoras e emergentes HorizonTI e N asscenTI. "O mercado privado de saúde está crescendo muito no Brasil", observou, acrescentando que a educação é outro ramo com boas perspectivas de investimento. "E a tecnologia não está fora desse movimento. Podemos aliar educação e tecnologia por meio do e-learning", lembrou.
 
Ele resumiu que as frentes de expansão do venture capital podem ser vistas em empresas com atuação em setores ligados de alguma forma a tecnologia, com potencial de crescimento inerente e escaláveis.
Guillaume constatou, ainda, a alta atratividade do País neste elo da cadeia. "Vários fundos estrangeiros de venture capital estão querendo saber o que é o Brasil", afirmou. A Confrapar já fez quatro investimentos por meio de seus dois fundos - um de R$ 40 milhões e outro de R$ 35 milhões -, que contam com 58 investidores. A companhia pretende fazer outros 26 aportes, totalizando 30 nos próximos quatro anos.
 
"Nós costumamos analisar 100 empresas para investir em uma", comparou.
 
  Marcelo Berger, da Trigger Participações, mostrou que também faz um grande estudo antes de selecionar os investimentos que fará. Ele disse que, no ano passado, chegou a analisar 300 projetos. "Estamos no quarto investimento", informou, ao defender que, principalmente em projetos de seed money, se faz necessária uma análise bem criteriosa não somente das características e aspectos financeiros do projeto, como também do perfil do empreendedor. "Este último aspecto pode ser tão determinante quanto os demais fatores para a decisão de investir ou não em um negócio", alertou.

 

Finep lança 12ª chamada para Inovar Fundos
 
  A Finep - Financiadora de Estudos e Projetos anunciou o lançamento da 12ª chamada do Inovar Fundos. Os gestores de fundos (e fundos de fundos) de private equity e venture capital tinham até o último dia 04 de maio para apresentar propostas de capitalização.
 
Segundo nota disponível no site da Finep, "além dos investidores do programa, a banca contará com a presença de investidores convidados (nacionais e internacionais). O edital marca, ainda, a entrada da Elos - Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social - como investidora Inovar". O comunicado informa ainda que o resultado da pré-qualificação do processo seria divulgado a partir do dia 13 de maio. Já entre os dias 13 e 17 de junho, os aprovados na primeira etapa devem se submeter à avaliação da banca do programa. O parecer final está previsto para ser divulgado a partir do dia 8 de julho.
 
  A primeira chamada do Inovar Fundos foi feita pela Finep em 2001. Na época, foram aprovadas duas propostas de fundos entre as 18 apresentadas. Segundo informações disponíveis no site da Finep, desde então, foram realizadas 11 chamadas, nas quais 139 propostas foram recebidas e 87 aprovadas para due dilligence.
 
Com isso, 18 fundos de venture capital e private equity foram aprovados pela Finep.
 
Já o Inovar Semente teve a sua primeira chamada realizada em 2006 e, em cinco chamadas, foram aprovados seis fundos, sendo que 48 gestoras se apresentaram e 22 foram selecionadas para due dilligence. Por meio dos programas Inovar Fundos e Inovar Semente, a Finep aprovou 26 fundos, dos quais 19 estão em operação, seis em fase de captação e um fundo completamente desinvestido em 2008. Mais de 70 empresas inovadoras já receberam recursos devidos a essas iniciativas.
 
Criatec ganhará segunda versão
 
  O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está se estruturando para fazer o lançamento do Criatec II entre o segundo semestre de 2011 e o primeiro semestre de 2012. De acordo com Marcio Spata, gerente do departamento de fundos de investimentos do BNDES, a diretoria do banco ainda não havia aprovado a segunda edição do fundo, mas a área estava trabalhando na sua elaboração. Ele fez o anúncio durante o Congresso Abvcap 2011.
 
"Por enquanto, a idéia é de que o novo fundo seja muito parecido com o primeiro. A estrutura seria de um gestor nacional trabalhando com alguns regionais", adiantou Spata. Ele contou ainda que uma das mudanças estudadas se refere ao tamanho do investimento feito por empresa, que poderia passar de R$ 1,5 milhão para algo como R$ 2 milhões. O porte das empresas que são alvo de investimento do fundo também pode vir a passar por alguma alteração, com um limite de faturamento anual um pouco superior aos R$ 6 milhões estabelecidos atualmente. Em relação ao número de empresas que devem receber recursos não está prevista nenhuma grande mudança. Segundo Spata, essa quantidade esta mais próxima de 36 (volume que recebeu  recursos do Criatec I) do que de 50 (numero inicialmente previsto para entrar na carteira do primeiro fundo).” Dessa forma, otimizamos o potencial de rentabilidade e aumentamos a capacidade do chamado follow-on. Conseguimos selecionar os casos de melhor desempenho e reinvestir neles”, reforçou o gerente. Ele sinalizou, ainda, que a ideia de lançar o segundo Criatec partiu do objetivo de “sempre estar com um fundo rodando”.
 
FONTE: Revista Participações, Maio de 2011.



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